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HAMMERSMITH ODEON LONDON '75



© 2006
 

: CURIOSIDADES


. Primeiro concerto de Bruce com a E Street Band em Londres, Inglaterra.
 

DISCOGRAFIA

1973 - Greetings From Asbury Park, NJ
1973 - The Wild, The Innocent & The & Street Shuffle
1975 - Born to Run
1978 - Darkness on the Edge of Town
1980 - The River
1982 - Nebraska
1984 - Born in the U.S.A.
1986 - Live/1975-85
1987 - Tunnel of Love
1988 - Chimes of Freedom
1992 - Human Touch
1992 - Lucky Town
1993 - In Concert, MTV Plugged
1995 - Greatest Hits
1995 - The Ghost of Tom Joad
1998 - Tracks
1999 - 18 Tracks
2001 - Live in New York City
2002 - The Rising
2003 - The Essential Bruce Springsteen
2005 - Devils & Dust
2005 - Hammersmith Odeon London '75
2006 - We Shall Overcome The Seeger Sessions
2006 - We Shall Overcome The Seeger Sessions - American Land Edition
2007 - Live in Dublin
2007 - Magic
2009 - Working on a Dream

HAMMERSMITH ODEON LONDON '75

Hammersmith Odeon London '75

EM ESTADO DE GRAÇA


Existe uma palavra no léxico da dramaturgia que ajuda a compreender melhor Hammersmith Odeon London '75, o duplo ao vivo de Bruce Springsteen acabado de lançar. A palavra é «peripécia». Significa o momento de viragem, no qual o enredo muda subitamente de sentido e tudo fica diferente. O momento de viragem na carreira de Springsteen foi precisamente o ano de 1975. Esta gravação consiste numa evocação desse período mágico.
O livreto do CD inclui um interessante texto de Springsteen, no qual descreve a primeira viagem a Londres como momento mágico mas confuso em que um bando de provincianos de New Jersey se transforma num projecto essencial da cultura pop global. De algum modo, a primeira viagem transatlântica representa o corte simbólico com o passado e inaugura a passagem da banda ao estrelato.

Considere-se o contexto. Em 1972, Springsteen assinou contrato com a Columbia. Para estúdio levou um conjunto de músicos de New Jersey. Gravaram Greetings From Asbury Park, NJ. O disco, editado em Janeiro de 1973, passou despercebido. Reincidiram em Setembro do mesmo ano com The Wild, The Innocent and the E-Street Shuffle e tiveram igual (falta de) sorte. No ano seguinte, Springsteen reviu a composição da banda, deu-lhe o nome de E Street Band e começou a trabalhar na terceira e última chance dada pela editora. O resultado foi Born to Run. Editado em Agosto de 1975, o disco constituiu um enorme sucesso. Foi nessa altura que um crítico encantado disse ter visto o futuro do rock'n'roll. Tamanha era a convicção que abandonou a escrita para se tornar manager da banda. E assim, de repente, um disco virou tudo do avesso. O que viria a seguir já é conhecido: o movimento punk empurrou o Boss para o centro mas a sua trajectória foi sempre fiel ao estilo que lhe valeu a celebridade e a reputação: uma mistura personalizada de rock dos anos 50, 60 e 70, entre a energia de um Jerry Lee Lewis, a pureza de espírito dos blues e líricas com a qualidade dos mestres como Bob Dylan. O estatuto de estrela não lhe tirou a inspiração e discos como The River, Born in the USA e o recente e injustamente pouco escutado Devils and Dust, são referências obrigatórias na música americana.

Hammersmith Odeon London '75 é um testemunho do tal momento de viragem. Gravado há mais de 30 anos, ainda hoje é fácil perceber as razões do entusiasmo. Trata-se da actuação de uma banda em estado de graça. O disco é monumental e um fabuloso exemplo do que deve ser um «live»: grandes canções, energia a rodos e a noção clara de que no palco se passava algo de especial.

Nesse sentido, mais do que um documento para a história, Hammersmith Odeon London '75 é um daqueles casos em que se pressente que, mais que um concerto, se está perante uma revelação. É tal a explosão de entrega e de energia que, mesmo a escuta, tira o fôlego ao ouvinte. Um enorme espécime obrigatório do disco ao vivo.

Miguel Cunha
 

Este registo agora editado em duplo CD audio, faz parte (em versão DVD), da edição especial lançada em 2005: Born to Run
30th Anniversary
.



"Em estado de graça" é o título da crítica ao álbum, escrita por Miguel Cunha e publicada no jornal Blitz, na edição nº1115 de 14 de Março 2006, onde ainda recebeu a nota de 8/10.



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