LIVE IN DUBLIN
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Atlantic City
. Old Dan Tucker
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Eyes On The Prize
. Jessie James
. Further On (Up the Road)
. O Mary Don't You Weep
. Erie Canal
. If I Should Fall Behind
. My Oklahoma Home
. Highway Patrolman
. Mrs. McGrath
. How Can a Poor Man Stand Such Times and Live
. Jacob's Ladder
. Long Time Comin'
. Open All Night
. Pay Me My Money Down
. Growin' Up
. When the Saints Go Marching In
. This Little Light of Mine
. American Land
Faixas extra:
. Blinded By the Light
. Love of the Common People
. We Shall Overcome |
© 2007 |
: CURIOSIDADES
.
Depois da gravação do álbum "We
Shall Overcome" (que deu origem a esta
digressão), a The Seeger Sessions Band
passa a designar-se neste registo ao vivo: The
Sessions Band.
. Foram lançadas 4 versões diferentes:
. 2 CD's
. 1 DVD
. 2 CD's/1 DVD
. 1 Blu-ray disc
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DISCOGRAFIA
LIVE IN DUBLIN
A VOZ DOS FÃS
Em
Abril de 2006 Springsteen editava um álbum
composto por músicas folk celebrizadas por Pete
Seeger a que chamou "We Shall Overcome
- The Seeger Sessions". O álbum era composto
por várias músicas centenárias reconstruídas
por Springsteen de forma irrepreensível.
A 5 de Maio começava a digressão que terminaria
em Novembro na Irlanda. Live in Dublin é
o documento que permite ter uma ideia de como foi essa digressão.
Resulta da recolha de músicas durante os 3 concertos
em Dublin antes do final da digressão em Belfast. São
19 músicos em palco a tocar com o coração
músicas folk continuando a tradição centenária
de pegar em músicas antigas e dar-lhes uma nova vida
adaptando-as à contemporaneidade.
01 - Atlantic City - Seria dificil começar
melhor. O primeiro single (retirada do álbum Nebraska)
a merecer um vídeo (1982) e , curiosamente, uma música
nada (mesmo nada!) dada a ser single. Aqui ganha uma vida simultaneamente
sombria e festiva. Springsteen reinterpreta
uma música como só ele sabe, dando-lhe uma nova
roupagem e tornando-a novamente relevante.
02 - Old Dan Tucker - Música nonsense
retirada do álbum que deu origem à digressão.
Dá para reparar que Springsteen se está
a divertir e que se sente musicalmente relevante o que, ouvindo
esta música centenária tocada desta forma, é
perfeitamente compreensível.
03 - Eyes on the prize - Springsteen
troca versos com Marc Anthony Thompson e dá
mais espaço aos violinos o que faz com que este espiritual
negro utilizado com frequência durante o Movimento pelos
Direitos Cívicos ganhe ainda mais profundidade. Os sopros
e os coros dão um toque mágico de espiritualidade
religiosa. O mais espantoso, ainda assim é a capacidade
vocal de Springsteen e a verdade com que canta
as músicas ao longo do concerto.
04 - Jesse James - Talvez a melhor música
de We Shall Overcome. Aqui começa com
um solo de banjo festivo, mais tarde acompanhado pela guitarra
de Springsteen. Começa a história
de como Jesse James foi cobardemente assassinado
e depois entra toda a banda no elogio fúnebre mais festivo
que já se ouviu. Solo de violino, solo de acordeão,
solo de slide guitar, mais solo de banjo, mais solo de violino,
solo da secção de sopros... Não há
elemento na banda que não se entregue completamente.
05 - Further on (up the road) - Música
retirada do álbum The Rising. Uma das
últimas músicas que Johnny Cash
tocou fazendo tributo a Springsteen que só
foi editado postumamente. Aqui a música está redicalmente
da versão garage rock original e da versão trovadoresca
de Cash. Uma flauta dá-lhe um toque
celta, Marc Anthony Thompson volta a contribuir
na vocalização de alguns versos. Aqui a música
deixa de ser um "toma-lá-guitarras-eléctricas-e-o-rock-vai-nos-salvar-a-vida"
para ser uma promessa comovente de amizade ao estilo de If
I should fall behind na Reunion Tour.
06 - O Mary don't you weep - Voltamos à
festa. Abram as portas do celeiro, convidem a cidade inteira
e dancem como se não houvesse amanhã ao som desta
história bíblica.
07 - Erie canal - Outra das grandes músicas
de We Shall Overcome. A história da
construção de um canal que facilitou transportes
na zona de Nova York no início do século XIX.
Com a abertura do canal, o transporte feito com carroças
puxadas por animais acabou por deixar de fazer sentido. Este
é um lamento de uma das pessoas que fazia o transporte
com uma carroça puxada por uma mula e que assiste ao
desmoronar de toda a sua vida. Danos colaterais da evolução.
08 - If I should fall behind - Talvez a melhor
música de amor de Springsteen aqui com
um arranjo radicalmente diferente quer da versão original
no álbum Lucky Town quer da versão
da Reunion Tour documentada no álbum Live in
NY. Aqui a música volta a afirmar-se como uma
promessa de amor inquebrável ao som de uma valsa pré-nupcial.
09 - My Oklahoma home - Uma música sobre
o desalojamento dos Okies depois de sucessivas tempestades de
pó e anos de seca agravados com a chegada da Grande Depressão
de 1929. A personagem principal perde tudo, os sonhos, a mulher,
a casa e ainda assim consegue manter um tom sarcástico.
Springsteen consegue um desempenho vocal substancialmente
melhor que no álbum e a música ganha um corpo
mais vivo que parecia faltar na versão de estúdio.
Destaque, no DVD, para Springsteen a empurrar
Greg Liszt para a frente do palco quando chega
a vez do solo de banjo. Com os solos perfeitos da secção
de sopros a música afirma-se como não conseguia
na versão de estúdio.
10 - Highway patrolman - Mais uma música
do álbum Nebraska e mais uma música
que também foi alvo de um cover por Johnny Cash.
A melodia não é radicalmente diferente da versão
do álbum mas o acompanhamento faz toda a diferença
nesta história. Mais comovente que nunca.
11 - Mrs. McGrath - Uma música anti-guerra
de origem irlandesa que Springsteen adaptou
ao contexto actual. Foi aqui que Dylan foi
buscar inspiração para John Brown.
Os interlúdios instrumentais enviam-nos para campos de
guerra ancestrais e conseguimos assistir a mortes sem fim e
a corpos deixados ao abandono no campo de batalha. Mas Springsteen
deixa a mensagem bem clara: "All foreign war I do proclaim
/ live on the blood and a mother's pain / but I'd rather have
my son as he used to be / than the king of America and his whole
navy".
12 - How can a poor man stand such times and live
- Música feita a partir do original de Blind
Alfred Reed que Springsteen adaptou
para esta digressão tendo como pano de fundo a incompetência
criminosa de George W. Bush perante a catástrofe
do Furacão Katrina. Springsteen continua
a intervir como pode na política norte-americana e, o
melhor, é que o faz sempre de modo irrepreensível
do ponto de vista artístico.
13 - Jacob's Ladder - Música originalmente
gospel aqui transformada de forma a que parece vir directamente
de New Orleans como se Springsteen estivesse
a dizer "Antes do Katrina, era disto que aquela terra era
capaz, este é o meu tributo à herança músical
que New Orleans nos deixou". 19 músicos eufóricos
põem o palco num caos completo tocando cada um o seu
instrumento de acordo com o que sentem que a música precisa
a determinado momento.
14 - Long time comin' - Música retirada
do álbum Devils and Dust. O acompanhamento
é o ídeal para a mensagem "foda-se! já
passei por tanta merda e já fiz tanta merda que agora
tenho direito a um bocado de glória!".
15 - Open all night - A terceira música
aqui presente retirada do álbum Nebraska.
Directamente dos anos 20 com direito a doobie doobie wap wap
e tudo! Todas as músicas que Springsteen
reinterpreta aqui estão substancialmente diferentes mas
esta transforma-se numa completamente diferente. Dá vontade
de calçar os sapatos de dança e abanar o corpo
como se não houvesse amanhã. Perfeita! Com direito
a solo de guitarra acústica e tudo como que lembrando-nos
que Springsteen ainda sabe o que faz e duelos
vocais rapazes / raparigas à Grease. Hey ho Rock 'n'
Roll deliver me from nowhere!
16 - Pay me my money down - Ainda Open
all night não acabou e Springsteen
ataca Pay me my money down como um cão
raivoso. A festa continua. Mais solos, mais caos em palco. Springsteen
a fazer a festa em palco como só ele sabe.
17 - Growin' up - Música retirada do
primeiro álbum de Springsteen (Greetings
from Asbury Park, N.J.). Quando Springsteen fazia música
rock soul infectada com um vírus jazzesco. Como é
que ela faz sentido num contexto folk/country/gospel? Bom...
só ouvindo. Não tem a energia histérica
do original porque, sinceramente, já não faria
grande sentido mas tem a energia de quem olha para trás
sem arrependimentos com uma felicidade pacífica e profunda.
18 - When the saints go marching in - Uma música
originalmente Gospel mas que acabou por sofrer influências
jazz e dixieland. Springsteen aproveita um
pouco de cada herança e entrega-nos uma versão
calma mas que nos eleva e anima. Troca versos com outros elementos
à medida que os instrumentos vão entrando.
19 - This little light of mine - Espiritual
negro utilizado no Movimento pelos Direitos Cívicos.
Aqui a música é uma experiência verdadeiramente
religiosa mesmo para quem não tem qualquer tipo de religiosidade.
Ponham os braços no ar e abanem-nos, libertem os maus
espíritos do corpo e sejam baptizados de novo! Só
peca por ser demasiado curta, mais 20 minutos e não parecia
demasiado.
20 - American Land - Acaba This little
light of mine e a festa continua com uma música
que Springsteen compôs para esta digressão.
Um hino festivo em homenagem aos imigrantes que construiram
os EUA. É agarrar uma caneca, dobrar os braços,
abaná-los e dançar entornando cerveja por todo
o lado que quando a música é assim ninguém
se importa!
21 - Blinded by the light - A música
em que passam os créditos. Retirada também do
primeiro álbum de Springsteen aqui com
um tratamento cigano contangiante. "I was blinded by the
light" é compreensivelmente transformada em "we
were blinded by the light". Que versão arrebatadora!
Bónus:
Love of the common people - Música de
Waylon Jennings. Springsteen
a piscar o olho ao reggae. Faz sentido que esteja nas músicas
de bónus, ou seja, não encaixava no corpo principal
desta gravação mas é relevante enquanto
prova da diversidade de estilos musicais que estavam em jogo.
We
shall overcome - A música que deu origem a todo
o projecto interpretada com um sentimento credível e
um acompanhamento musical comovente. Mais uma vez, Springsteen
a aproveitar hinos do Movimentos pelos Direitos Cívicos
e a adaptá-los aos novos tempos. A forma ideal de terminar
este conjunto de canções.
Márcio
Diogo Augusto |
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Nos dias 17, 18 e 19 de Novembro 2006, Bruce
e a sua Seeger Sessions Band, tocaram no The
Point em Dublin, Irlanda, mesmo no final da Seeger Sessions
Tour.
. Esses espectáculos foram também alvo de gravação
em video e deram origem à edição em DVD,
com os mesmos temas da edição em CD.
: AGRADECIMENTOS
Márcio Diogo Augusto faz a crítica de
todos os temas incluídos em mais um álbum ao vivo
de Springsteen, também lançado
em formato DVD.
Márcio é também o autor
do blog
Thunder Road onde é possível
encontrar este texto.
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