MAGIC
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Radio Nowhere
. You'll Be Comin' Down
. Livin' in the Future
. Your Own Worst Enemy
. Gypsy Biker
. Girls in Their Summer Clothes
. I'll Work for Your Love
. Magic
. Last to Die
. Long Walk Home
. Devil's Arcade
Faixa extra:
. Terry's Song |
© 2007 |
: CURIOSIDADES
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O
tema "Long Walk Home" já
tinha sido tocado na Seeger Sessions Tour,
a 11 de Novembro 2006 na Wembley Arena, Londres. Na
altura, Bruce descreveu este tema como
sendo:
"work in progress". |
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DISCOGRAFIA
MAGIC
A VOZ DOS FÃS
Magic
era um álbum esperado com algum nervosismo. The
Rising tinha marcado o regresso da E Street
Band mas tinha tido um tema muito forte, o 11 de Setembro.
Que tipo de álbum lançaria Springsteen
sem um tema destes, depois de um álbum a solo
e de um álbum folk nos antípodas do seu trabalho
com a E Street Band? Será que a banda
ainda estaria apta? E o próprio Springsteen?
Ainda conseguiria fazer um álbum de Rock'n'Roll? Little
Steven, o guitarrista de Springsteen,
afirma que este será o último grande álbum
de Rock 'n' Roll, o último antes de ser tudo definitivamente
contaminado pela efemeridade de internet, dos iPods, do youtube.
Não see se será verdade mas uma coisa é
certa, depois de ouvir Magic, essa tarefa só
pode estar a cargo de uma pessoa, a pessoa que reanimou o Rock'n'Roll
nos anos 70 injetando-lhe toda a fúria e esperança
que havia perdido, a pessoa que lançou aquele que foi,
provavelmente, o primeiro álbum intencionalmente lo-fi
(Nebraska) e que acabou por se revelar uma
obra-prima, a pessoa que foi, provavelmente, a última
mega-estrela dos anos 80 com um álbum absolutamente improvável
e que teve a coragem de mudar completamente de rumo logo de
seguida, a pessoa que abdicou intencionalmente da fama em nome
da integridade.
Há albuns que saem precisamente na altura certa para
uma determinada pessoa e que serão sempre, por isso,
considerados geniais por ela. Há albuns que saem na altura
certa da vida colectiva de todos nós, que surgem como
resposta para perguntas que todos fazemos e que são geniais.
Há ainda álbuns absolutamente intemporais, daqueles
que podem ser constantemente descobertos, que fazem sempre sentido,
aqueles que, mais que álbuns, parecem testemunhos de
verdade em estado puro e que surgem mais ou menos uma vez por
década. Magic, tem um pouco de tudo
isto. É verdade que não é um Born
to Run, um Darkness on the Edge of Town ou
um Nebraska mas, em algumas músicas
é tão como esses álbuns. Magic
oscila levemente entre o óptimo e o genial,
navega na espuma destes dias e é o álbum certo
na altura certa.
Musicalmente, a E Street Band parece ao mesmo
tempo uma banda adolescente com o entusiasmo de quem descobre
a música e uma banda com a idade que tem na verdade,
medindo de forma exacta e perfeita as medidas sonoras e enchendo
os espaços de forma que nos fazem acreditar que nenhuma
destas músicas poderia ter qualquer outra forma.
Radio nowhere
O single. Deixava prever um álbum de rock'n'roll
de acordes simples, produção crua (para os parâmetros
da E Street Band). Um lamento sobre a música
como music business e a forma como isso é apenas um reflexo
de tudo o resto. Referência a Mistery Train de
Elvis Presley. A repetição de
uma frase como mantra é já característica
e esconde significados mais profundos que aquilo que poderão
parecer à primeira vista: "I just want to feel some
rhythm" não é uma afirmação
do tipo hip-hop "desde que haja música e festa,
a vida corre-me bem", é, antes, uma afirmação
que exige música tocada, ritmos que permitam às
pessoas dançar, ter esperança e, pelo caminho,
reflectir. É um género de prefácio ao álbum.
As comparações sonoras a "Don't Fear
the Reaper" dos Blue Oyster Cult parecem
evidentes à primeira audição mas depois
tudo isso desaparece e a música emerge pelo seu próprio
mérito.
You'll be comin' down
Uma reflexão sobre a idade e uma preocupação
que suponho que esteja na cabeça do Sr. Springsteen:
a possibilidade de perder a relevância, de começar
a debitar clichés. Como é óbvio, nada é
deixado ao acaso e a música serve mais como aviso que
como lamento. A esperança está lá. E, já
agora, o trabalho fantástico do baixista Garry
Tallent, também.
Livin' in the future
A música que me custou mais digerir. Em minha
defesa, posso dizer que a E Street Band não
lançava uma música assim desde 1984 com Born
in the USA. Springsteen ruminando
sobre rumores que circularam há uns meses que anunciavam
o seu divórcio. A questão é que a letra,
cínica, é acompanhada de uma música que
faz lembrar o segundo álbum de Springsteen
(The Wild, The Innocent and The E Street Shuffle)
e a música Tenth Avenue Freeze-Out.
A E Street Band em todo o seu esplendor, com
direito a solo de Danny Frederici e tudo.
Your own worst enemy
Não posso deixar de pensar que esta música é
de um Springsteen pós-terapia, um Springsteen
que se depara com a própria imagem e se assusta.
A música poderia ter sido retirada do The River.
Faz lembrar "Fade away" ou "The
Price you pay" enquanto reflexão sobre
a queda dos mecanismos que nos permitem ter uma imagem idealizada
sobre nós próprios.
Gipsy Biker
Primeira música anti-guerra do álbum.
Faz lembrar a genial "Shut out the light"
e partilham até uma frase "polished up the chrome".
A diferença é que, em "Shut out the
light" havia alguém que voltava da guerra
e se deparava com um mundo que não funcionava de uma
maneira que ele conseguisse lidar. Desta vez, a pessoa que volta,
parece não ter voltado e o silêncio é a
única forma que as outras pessoas têm de lidar
com isso. O silêncio perturbador traduzido nos solos de
guitarra dilacerantes. No fim, a imagem de alguém que
era tanto e agora conta linhas brancas que o fazem finalmente
deixar a guerra mas que não fazem com ele volte de vez.
Girls in their Summer clothes
Parece uma música feel-good. A sonoridade Pet
Sounds ajuda. À semelhança de Born
in the USA, este arrisca-se a ser mais um álbum
mal interpretado. O que parece ser um devaneio superficial de
tops e pele à mostra, acaba por ser uma música
sobre rejeição. Talvez uma das melhores sobre
o tema. Parece que, quando Springsteen não
consegue dar a volta à letra de forma que ela tenha um
tom optimista, fá-lo na música. Dessa forma, torna-se
uma música mais "who cares?".
I'll work for your love
Uma obra-prima. Genial. Foi esta sonoridade que me
prendeu a Springsteen, foi esta sensação
de peito a rebentar, estas letras de entrega incondicional,
letras de amor que fazem realmente sentido. Ao ouvir "I'll
work for your love", salta-se, canta-se, abana-se
a cabeça, reafirmam-se amores e esperanças. Não
há mais ninguém (nem nunca houve) que o conseguisse
fazer tão bem. É por isso que a E Street
Band é tão importante, compreendem perfeitamente
a intenção das letras e contribuem de forma irrepreensivel
para a narrativa. Para ouvir uma e outra e outra e outra vez.
Magic
Não deixa de ser estranho que, as duas músicas
que parecem sonoramente mais estranhas à totalidade do
álbum sejam, precisamente, o single e a música
que lhe dá nome. Musicalmente é Springsteen
a experimentar novos caminhos com sucesso, teclas a
estabelecer o ambiente, uma guitarra suave, um bandolim no fundo
e uma voz que, como no resto do álbum, parece ter ganho
nova vida. A música é uma sucessão de metáforas
mágicas sobre uma relação em que as partes
se magoam cruelmente mas em que, milagrosamente, nenhuma das
feridas fica por sarar.
Last to die
Uma história assustada de cenas quotidianas
completamente distorcidas pelas inteferências da guerra.
A fazer lembrar "Roulette" mas mais
madura. Ataca de uma só vez os defensores cegos da guerra
e os pacifistas inconsequentes. "Who'll be the last to
die for a mistake?" é a pergunta central da música.
Long walk home
A guerra serve de novo de pano de fundo mas, desta
vez, não é mais que isso numa história
sobre falhanços e esperança. Esta é daquelas
músicas que não são maiores que a vida
mas que são do seu tamanho exacto. Uma espécie
de Thunder Road mais ponderada, menos optimista
mas esperançosa. Outra música genial.
Devil's arcade
À semelhança de "I'll work
for your love" e "Long walk home",
esta é daquelas músicas que nem parecem músicas.
Parecem, antes, pedaços de verdade que sempre estiveram
perdidos nas profundezas da mente de cada um de nós.
Como em todas as músicas assim, a única forma
de compreender a sua beleza profunda é ouvi-la.
Terry's
song
Uma
música de bónus que foi acrescentada à
última da hora depois da morte de um grande amigo de
Springsteen. Não é nada de muito
elaborado, apenas uma das músicas mais emocionais que
alguma vez se fez.
Márcio Diogo Augusto |
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. Esta é a terceira colaboração de Springsteen
com o produtor Brendan O'Brien.
. Os outros trabalhos foram: "The Rising"
e "Devils & Dust".
. As gravações tiveram lugar no mesmo estúdio
em Atlanta para o álbum "The Rising",
no Southern Tracks Recording Studio.
. Soozie Tyrell participa mais uma vez num
trabalho do Boss em conjunto com a E
Street Band.
: AGRADECIMENTOS
Márcio Diogo Augusto faz a crítica ao
trabalho de Springsteen com a E Street
Band, juntos novamente após The Rising
em 2002.
Márcio é também o autor
do blog
Thunder Road onde é possível
encontrar este texto.
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