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WE SHALL OVERCOME: THE SEEGER SESSIONS



© 2006
 

: CURIOSIDADES


. É a primeira vez na carreira de Bruce Springsteen, que é lançado um trabalho totalmente preenchido com versões de outro artista.

. Editado também em DualDisc, a faixa DVD contém 30 minutos de imagens das gravações (também disponível na versão CD+DVD).
 

DISCOGRAFIA

1973 - Greetings From Asbury Park, NJ
1973 - The Wild, The Innocent & The & Street Shuffle
1975 - Born to Run
1978 - Darkness on the Edge of Town
1980 - The River
1982 - Nebraska
1984 - Born in the U.S.A.
1986 - Live/1975-85
1987 - Tunnel of Love
1988 - Chimes of Freedom
1992 - Human Touch
1992 - Lucky Town
1993 - In Concert, MTV Plugged
1995 - Greatest Hits
1995 - The Ghost of Tom Joad
1998 - Tracks
1999 - 18 Tracks
2001 - Live in New York City
2002 - The Rising
2003 - The Essential Bruce Springsteen
2005 - Devils & Dust
2005 - Hammersmith Odeon London '75
2006 - We Shall Overcome The Seeger Sessions
2006 - We Shall Overcome The Seeger Sessions - American Land Edition
2007 - Live in Dublin
2007 - Magic

WE SHALL OVERCOME: THE SEEGER SESSIONS

We Shall Overcome The Seeger Sessions

A VOZ DOS FÃS


O Furacão Katrina passou por New Jersey

O novo álbum de Bruce Springsteen recolhe temas tradicionais da música popular norte-americana e transforma-os numa festa à New Orleans. Dir-se-ia que o Furacão Katrina passou por New Jersey.

Com “We Shall Overcome-The Seeger Sessions”, Bruce Springsteen consegue transformar numa festa exultante aquilo que poderia ser apenas mais um excelente mas melancólico disco acústico. Os temas do álbum já eram conhecidas na versão despida e folk de Pete Seeger mas o que Springsteen faz é muito mais do que as reproduzir de novo em jeito folk. Ele junta um grupo de músicos brilhantes e faz de cada tema tradicional um pedaço de uma festa. Chamar apenas disco folk a “We Shall Overcome” é ignorar a revolução que Springsteen produz ao reinventar e repintar cada canção.

Old Dan Tucker, por exemplo, começa com um banjo muito bluegrass mas a entrada da banda em acção introduz-nos imediatamente a transformação emprendida pelo Boss. O cantar de Bruce é rasgado e nasalado e portanto country/bluegrass/ folk mas o acompanhamento lembra uma jam session em New Orleans, as trompetes dos Dexy Midnight Runners. A batida é mantida pelo contrabaixo mas aquelas trompetes mariachi inflamam tudo juntamente com o coro. É como se estivéssemos num bar em madeira algures na Irlanda e todos a cantar e a bater com o pé no soalho.

Jesse James abre com a guitarra acústica e um cantar à Christy Moore. Há muito de Irlanda e de irlandês na forma como é iniciado o tema mas mais uma vez o Boss dá a volta ao texto, desta vez com a introdução dos acordeons que tanto nos remetem para o cajun da Louisianna como o tejano e conjunto da fronteira com o México. O acordeon parece tocado pelo grande mestre do tex-mex Flaco Jimenez e as trompetes parecem saídas de New Orleans. Brilhante a forma como consegue, na festa final em que Jesse James se transforma, conciliar instrumentos que dir-se-iam inconciliáveis: banjo, trompetes, acordeon.

Mrs McGrath abre uma janela sobre a Irlanda, sobretudo mal soam os violinos. O facto de se tratar de uma velha balada anti-guerra será interpretado para dizer que se trata de uma mensagem politizada. Bruce Springsteen introduz-lhe dramatismo utilizando o piano.

O Mary Don’ You Weep começa e termina com um violino cigano maravilhoso e um trombone que dir-se-ia saído de New Orleans. Mais uma vez, Bruce reinventa. Aquele que era um espiritual negro cantado nas igrejas do sul passa a uma festa produzida por uma autêntica brass band. Cheira a Preservation Hall, a cantina texana e que dizer do piano final? Não lembra Dr. John?

John Henry arranca em jeito e ritmo bluegrass e Bruce Springsteen canta-a com uma força quase espiritual. “I’m gonna die with a hammer in my band, Lord, Lord…” O banjo é uma delícia bluegrass, o acordeon um sonho tejano. Bruce canta e rasga as cordas como um doido: “You can hear John Henry’s hammer ring…”

Em Erie Canal, o Boss escolheu a princípio uma aproximação muito melodiosa e melancólica. Mais uma vez, o que dizer dos arranjos? Dá impressão que o homem foi atingido pelo Furacão Katrina tão influente é em determinados momentos o som de New Orleans cozinhado com o banjo bluegrass.

Em Jacob’s Ladder, Bruce e a banda não nos dão tempo de respirar. Mais um gospel vestido ao jeito dessa grande cidade que será New Orleans. Está lá o piano endiabrado, o trombone, o coro alegre, o acordeon cajun. Tudo a dançar de guarda-sol na mão ao sol da Louisianna ou do Mississipi.

My Oklahoma home é um hino folk dedicado aos okies perdidos na “dust bowl” dos anos 30 e a todos os filhos da Grande Depressão. O acompanhamento do acordeon ou do baixo é mais light, não fosse esta uma canção de combate, uma canção de desespero, pobreza e vazio: “Oh my Oklahoma home is blown away, yeah, it’s up there in the sky, in that dust cloud over n’by, my Oklahoma home is in the sky”.

Eyes On The Prize é mais um hino e Bruce Springsteen dá-lhe a solenidade que ele merece, o coro soprando como um grupo de anjos e os instrumentos num crescendo contido que acaba iluminado pelo violino e pelo acordeon. O final é um funeral festivo em… New Orleans, pois claro.

Shenandoah é pintada em tons sombrios. Ouçam como o piano e o violino a respeitam e o coro acompanha o Boss no que parece missa no topo dos Apalaches. Triste, sombria, romântica, Shenandoah é um dos momentos mais simultaneamente pausados e bonitos do disco, pinceladas de piano aqui, acordeon céltico acolá.

Pay Me My Money Down termina aquele que tinha uma intermezzo e acelera num ritmo cajun contagiante. Parece que estamos em Opelousas, Louisianna ou em Laredo, Texas numa dance hall e que uns cajuns e chicanos convidaram uns amigos das montanhas do Kentucky para festejar.

A versão de We Shall Overcome era de todas a mais arriscada por se tratar da canção de protesto mais famosa de sempre. Bruce Springsteen dá-lhe uma roupa entre o folk e o hino espiritual, enfatizando o poder das vozes e da mensagem.

Froggie Went A Courtin’ é o que poderíamos chamar de bluegrass progressivo ou bluegrass moderno. Começa como se estivéssemos numa cabana dos Apalaches nos anos 50 mas avança de forma muito inteligente para a introdução faseada de instrumentos que não pertencem à área da country ou do bluegrass como o acordeão. Juntamente com Old Dan Tucker é, apesar das inovações- ouça-se aquela batida à White Stripes- a canção mais bluegrass do álbum.

Magnífico. Obrigado, Bruce.

Nuno Ferreira
 

Pete Seeger é uma das grandes influências de Bruce, que nas gravações do álbum se fez acompanhar por:

. Sam Bardfeld (violino)
. Art Baron (tuba)
. Frank Bruno (guitarra)
. Jeremy Chatzy (baixo)
. Mark Clifford (banjo)
. Larry Eagle (bateria e percussão)
. Charles Giordano (orgão B3, piano e acordeão)
. Ed Manion (saxofone)
. Mark Pender (trompete)
. Richie "La Bamba" Rosenberg (trombone)
. Soozie Tyrell (violino)
. Lisa Lowell, Patti Scialfa, Pender, Tyrell e Rosenberg (segundas vozes)



: AGRADECIMENTOS


A crítica ao álbum de Springsteen, é feita por Nuno Ferreira, jornalista e autor do blog Estradas Perdidas.



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