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THE GHOST OF
TOM JOAD



© 1995
 

: CURIOSIDADES


. Mais um ábum acústico de Springsteen que o leva, pela primeira na carreira, a uma digressão a solo.

. 10 anos depois voltaria para a estrada, de novo sozinho, após o lançamento de "Devils & Dust" em 2005.
 

DISCOGRAFIA

1973 - Greetings From Asbury Park, NJ
1973 - The Wild, The Innocent & The & Street Shuffle
1975 - Born to Run
1978 - Darkness on the Edge of Town
1980 - The River
1982 - Nebraska
1984 - Born in the U.S.A.
1986 - Live/1975-85
1987 - Tunnel of Love
1988 - Chimes of Freedom
1992 - Human Touch
1992 - Lucky Town
1993 - In Concert, MTV Plugged
1995 - Greatest Hits
1995 - The Ghost of Tom Joad
1998 - Tracks
1999 - 18 Tracks
2001 - Live in New York City
2002 - The Rising
2003 - The Essential Bruce Springsteen
2005 - Devils & Dust
2005 - Hammersmith Odeon London '75
2006 - We Shall Overcome The Seeger Sessions
2006 - We Shall Overcome The Seeger Sessions - American Land Edition
2007 - Live in Dublin
2007 - Magic

THE GHOST OF TOM JOAD


The Ghost of Tom Joad

A VOZ DOS FÃS


Eis um disco que soa ao album “Nebraska” (1982), acústico, minimal e de uma tristeza tocante, sem altos e baixos, se exceptuarmos os solos dylanescos da harmónica, as lamúrias da steel guitar ou os teclados que tanto sucesso fizeram em “The Streets Of Filadelphia”.

O que o torna único é a beleza magnificente das letras. Cada canção é uma “short story” sobre os deserdados americanos, escrita com a motivação quase militante de Steinbeck ou Woody Guthrie, com a diferença que se trata da América dos anos 90.

Em “The Ghost of Tom Joad”, com que abre o disco, visionamos um continente de novo avassalado pela depressão, milhares de pesssoas em movimento, famílias dormindo dentro dos carros, homens percorrendo as linhas de comboio. “Benvindos à nova ordem mundial”, ironiza o Woody Guthrie dos tempos modernos, “no home, no job, no peace, no rest”. As imagens, cinematográficas como se Springsteen escrevesse a partir do que captou numa câmara em movimento por debaixo das pontes e pelas estradas da América deprimida, desfilam-nos pelos olhos como num filme de John Ford. A balada termina com o autor agachado junto a uma fogueira à espera do fantasma de Tom Joad, a grande figura literária mas também o grande heroi americano, o guardião dos deserdados. O sonho americano, já não a sua possibilidade que Springsteen cantava eufórico e adolescente em “Born To Run”, perpassa por toda a obra, como uma promessa amarga e não cumprida.

Em “Youngstown”, conta a história da decadência de uma cidadezinha do Ohio dominada pela indústria do aço, em “Galveston Bay” fala do vietnamita que lutou pelos americanos e agora é rejeitado por eles na pátria da liberdade e em “Balboa Park” introduz-nos na vida de Spider, um miúdo que se prostitui nas ruas de San Diego e acaba por morrer debaixo da ponte da auto-estrada.

Não seria um disco de Bruce Springsteen, no entanto, se não existisse aqui e ali a possibilidade romântica da redenção e de uma vida melhor. Em “The line”, um guarda fronteiriço apaixona-se por uma emigrante ilegal e deixa-a fugir, a morena Louisa com os seus longos cabelos pretos e o irmão mais novo nos braços. Em “Across the border”, um jovem mexicano explica à namorada que nessa noite vão atravessar a fronteira a salto para um dia poderem ter uma casa nas colinas, lá do outro lado, onde tudo lhes sorrirá.

Gravado a milhares de anos luz de todo este universo— no seu estúdio de Beverly Hils— “The Ghost of Tom Joad” coloca de novo Springsteen em funções, um dos grandes narradores americanos deste século.


Nuno Ferreira
 

Um álbum baseado na história e nos ambientes de "As Vinhas da Ira", de John Steinbeck, mas adaptadas aos dias de hoje (editado em 1995).
É o retrato de uma América paralela, feita de pessoas vulgares.



: AGRADECIMENTOS


Nuno Ferreira
fala de um álbum "... acústico, minimal e de uma tristeza tocante...".

Texto também publicado no jornal
O Público em 1995.

Nuno Ferreira é também o autor do blog Estradas Perdidas.


 

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