THE GHOST OF
TOM JOAD
© 1995 |
: CURIOSIDADES
.
Mais um ábum acústico de Springsteen
que o leva, pela primeira na carreira, a uma digressão
a solo.
. 10 anos depois voltaria para a estrada, de novo sozinho,
após o lançamento de "Devils
& Dust" em 2005. |
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DISCOGRAFIA
THE GHOST OF TOM JOAD
A VOZ DOS FÃS
Eis
um disco que soa ao album “Nebraska”
(1982), acústico, minimal e de uma tristeza tocante,
sem altos e baixos, se exceptuarmos os solos dylanescos da harmónica,
as lamúrias da steel guitar ou os teclados que tanto
sucesso fizeram em “The Streets Of Filadelphia”.
O que o torna único é a beleza magnificente das
letras. Cada canção é uma “short
story” sobre os deserdados americanos, escrita com a motivação
quase militante de Steinbeck ou Woody
Guthrie, com a diferença que se trata da América
dos anos 90.
Em “The Ghost of Tom Joad”, com
que abre o disco, visionamos um continente de novo avassalado
pela depressão, milhares de pesssoas em movimento, famílias
dormindo dentro dos carros, homens percorrendo as linhas de
comboio. “Benvindos à nova ordem mundial”,
ironiza o Woody Guthrie dos tempos modernos,
“no home, no job, no peace, no rest”. As imagens,
cinematográficas como se Springsteen
escrevesse a partir do que captou numa câmara em movimento
por debaixo das pontes e pelas estradas da América deprimida,
desfilam-nos pelos olhos como num filme de John Ford.
A balada termina com o autor agachado junto a uma fogueira à
espera do fantasma de Tom Joad, a grande figura
literária mas também o grande heroi americano,
o guardião dos deserdados. O sonho americano, já
não a sua possibilidade que Springsteen
cantava eufórico e adolescente em “Born
To Run”, perpassa por toda a obra, como uma promessa
amarga e não cumprida.
Em “Youngstown”, conta a história
da decadência de uma cidadezinha do Ohio dominada pela
indústria do aço, em “Galveston
Bay” fala do vietnamita que lutou pelos americanos
e agora é rejeitado por eles na pátria da liberdade
e em “Balboa Park” introduz-nos
na vida de Spider, um miúdo que se prostitui
nas ruas de San Diego e acaba por morrer debaixo da ponte da
auto-estrada.
Não seria um disco de Bruce Springsteen,
no entanto, se não existisse aqui e ali a possibilidade
romântica da redenção e de uma vida melhor.
Em “The line”, um guarda fronteiriço
apaixona-se por uma emigrante ilegal e deixa-a fugir, a morena
Louisa com os seus longos cabelos pretos e
o irmão mais novo nos braços. Em “Across
the border”, um jovem mexicano explica à
namorada que nessa noite vão atravessar a fronteira a
salto para um dia poderem ter uma casa nas colinas, lá
do outro lado, onde tudo lhes sorrirá.
Gravado a milhares de anos luz de todo este universo—
no seu estúdio de Beverly Hils— “The
Ghost of Tom Joad” coloca de novo Springsteen
em funções, um dos grandes narradores americanos
deste século.
Nuno Ferreira |
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Um
álbum baseado na história e nos ambientes de "As
Vinhas da Ira", de John Steinbeck,
mas adaptadas aos dias de hoje (editado em 1995).
É o retrato de uma América paralela, feita de
pessoas vulgares.
: AGRADECIMENTOS
Nuno Ferreira fala de um álbum "... acústico,
minimal e de uma tristeza tocante...".
Texto também publicado no jornal
O Público em 1995.
Nuno Ferreira é também o autor
do blog Estradas
Perdidas.
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