THE WILD, THE INNOCENT & THE E STREET SHUFFLE
© 1973 |
: CURIOSIDADES
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As vendas dos dois primeiros trabalhos, lançados
em 1973, não satisfazem a editora nem o próprio
Bruce.
. Apesar disso, os espectáculos ao vivo são
considerados muito bons. |
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DISCOGRAFIA
THE
WILD, THE INNOCENT & THE E STREET SHUFFLE
A VOZ DOS FÃS
Estávamos
em 1973. Bruce Springsteen era um zé
ninguém, conhecido apenas no seu Estado-Natal e arredores
pelos concertos electrizantes. Nesse mesmo ano tinha lançado
o álbum de estreia, "Greetings from Asbury
Park, N.J." que passou completamente despercebido.
Depois de ter assinado contracto com a maior editora da altura,
achou que valia a pena tentar mais uma vez antes de se lançar
na tarefa hercúlea de "Born to Run".
Anos e anos de concertos tínham-lhe deixado centenas
de músicas mas Springsteen decide lançar
um álbum com apenas 7. Escolhe-as a dedo. Há quem
ache que tinham lá cabido músicas como "Zero
and Blind Terry" ou "Thundercrack"
mas Springsteen não o achou. Talvez
tenha sido o melhor, apesar de serem boas músicas, íam
estragar a unidade do álbum, uma preocupação
que começava a aparecer e que o levaria a deixar de lado
para álbuns posteriores músicas que seríam
gravadas por outros artistas dando-lhes oportunidade de chegar
ao top 40 de Billboard. Nunca foi essa a preocupação
de Springsteen e ainda bem.
The E Street Shuffle
O álbum começa assim. É o último
álbum "inocente" de Springsteen.
Rock, soul, funk... Uma música de festa sobre o que as
pessoas fazem para fugir à rotina. Springsteen
voltaria recorrentemente ao tema de forma muito mais sombria
mas por enquanto, não era altura para isso. A adolescência
ainda não tinha acabado.
4th of July, Asbury Park (Sandy)
As promessas ainda valiam. O tema repete-se mas, desta vez,
dá a sensação que Springsteen
se está a preparar para escrever Thunder Road,
Born to run ou Backstreets.
A música mais romântica até à altura.
Amores proibidos, planos de fuga, personagens secundárias
presas que serviam de referência para tudo que Springsteen
não se queria tornar e a promessa de amor eterno "Love
me tonight and I promise I'll love you forever". Quem é
que será capaz de não acreditar nesta promessa
no fim da música? A bateria começa, entra o acordeão
e entra-se noutro mundo. Esta música, tal como muitas
outras no álbum, é simplesmente perfeita.
Kitty's back
Não chegamos a sair da terra imaginária
onde Sandy nos pôs. Um amor perdido volta
numa tarde de Verão, com um calor abrasador. Kitty,
depois de abandonar o namorado por "some city dude"
volta e o namorado não lhe consegue resistir. É
uma história de adolescente em toda a sua glória
adolescentemente histérica, adolescentemente idealista,
adolescentemente romântica. Ao vivo, a música ganha
vida e os solos sucessivos ora da secção de sopros
ora das teclas, ora de guitarra conseguem fortalecer a sensação
de que estamos sentados no capot de um carro abandonado, numa
tarde quente de Verão, enquanto assistimos ao desenrolar
da história. Perfeita.
Wild Billy's Circus Story
Continuamos no calor do Verão mas agora o cenário
é diferente. Os bastidores de um circo onde nada é
o que parece. "The runway lies ahead like a great false
dawn" é uma das frases fundamentais da música.
Como se, para estas pessoas a estrada fosse uma ilusão
permanente de início de qualquer coisa que nunca inicia.
A música é descritiva, por isso mesmo, é
fácil e talvez irrestivel pormo-nos neste cenário
belo e aterrador ao mesmo tempo. A frase final ("All aboard,
Nebraska's our next stop") é particularmente enigmática
na medida em que, a seguir a este álbum começaria
a loucura que só voltaria a acalmar com o lançamento
do álbum Nebraska.
Incident on 57th Street
A
meu ver, a melhor música de Springsteen
até à altura. Voltamos a cenário de Sandy
mas, desta vez, a inocência já não é
tão inocente. Desta vez as personagens são obrigadas
a fazer coisas que não querem, coisas que, resultando
significam conseguir sair daquela terra, não resultando
significam o fim de todos os sonhos. Springsteen
constrói a imagem da personagem principal como uma figura
frágil que tenta esconder a sua fragilidade com roupas
de herói, uma figura que tem tudo a perder mas age como
se não tivesse nada, uma personagem à beira da
ilegalidade e conseguimos imaginar um dos seus golpes a falhar
e a namorada a ficar sozinha para sempre sem nada a não
ser a promessa de um amor eterno.
Rosalita
(come out tonight)
Festa.
A música perfeita para uma festa. Um riff contagiante,
energia a transbordar, mudanças de ritmo alucinantes
e um refrão que é um convite cuja resposta já
se sabe positiva. O resultado da alegria de um grande amor mais
um contrato discográfico resulta nisto. Vem comigo que
tudo vai resultar. É talvez a melhor música alegre
de sempre.
New
York City Serenade
Começa
com um piano ora violento ora frágil que acalma para
dar entrada a uma guitarra acústica que estabelece um
ambiente quente (mais uma vez) mas desta vez de uma noite de
Verão. A letra é indecifrável mas, tal
como nas melhores músicas de Dylan,
não precisamos de saber o que quer dizer cada linha para
percebermos a música. Dez minutos jazzísticos
que nos põem numa esquina nova iorquina numa madrugada
quente de Verão onde tudo se dissipa e sobram apenas
as notas quentes desta música.
Márcio Diogo Augusto |
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. Logo a seguir ao semi-fracasso que foi "Greetings
From Asbury Park, N.J.", é lançado
ainda no mesmo ano de 1973, um disco que revela ainda alguma
indecisão em relação ao rumo a tomar.
. No entanto, é aqui que se encontram algumas das "pérolas"
do Boss, como são: "Rosalita
(come out tonight)" e "New
York City Serenade".
: AGRADECIMENTOS
Márcio Diogo Augusto percorre todas as músicas
do segundo trabalho de Springsteen.
Márcio é também o autor
do blog
Thunder Road onde é possível
encontrar este texto.
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